Nos últimos anos, o mercado de trabalho vem sofrendo com a escassez de profissionais formados no ramo das ciências exatas, sendo que a procura por essas áreas passa por uma estagnação. Isso é provocado, em suma, pela deficiência no ensino da Matemática na educação básica do Brasil.
Desde muito cedo, durante o período escolar, os alunos são ensinados a apenas decorar regras e formas “passo a passo” de resolver os problemas ao invés de passarem pela abordagem lógica de ensinar, o que dificulta, dessa forma, sua formação superior. Quer saber por quê? Siga a leitura!
Alarme: o que dizem os indicadores
Segundo a edição de 2025 do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), apenas 26,2% dos estudantes do Ensino Médio que realizaram o exame estão nos níveis 6, 7, 8, 9 e 10.
De acordo com o PISA 2022 (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), os estudantes da região de Macau, pertencente à China, estão entre os três mais bem colocados no que diz respeito ao desempenho da Matemática, com 552 pontos, sendo que os do Brasil situam-se abaixo da média do OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), apresentando apenas 379 pontos.
Afinal, quais são as principais peculiaridades do ensino em Macau?
Macau apresenta métodos não-convencionais de ensino: seus professores lecionam Matemática através de brincadeiras e situações reais. Além disso, a tecnologia é integrada à educação, de modo que os alunos utilizam os dispositivos eletrônicos para acessar aplicativos e sites educacionais.
Esse tipo de ensino diminui o “fator” memorização e acrescenta o pensamento lógico e analítico, principalmente pelo uso de brincadeiras e das aplicações reais mencionadas, já que para o aluno reconhecer a presença da Matemática nesses contextos ele precisa analisar situações, e não, simplesmente substituir valores em fórmulas.
Do boletim ao mercado de trabalho: o que se espera de um engenheiro
De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva para o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), de 1.150 estudantes entrevistados, mais de três quartos creem que a qualidade do ensino do país influencia na baixa da procura por um curso de Engenharia.
E isso não é apenas uma percepção.
Um engenheiro é um profissional fortemente requisitado no campo do desenvolvimento de sistemas, pois é um especialista que, independentemente da sua área de atuação, está familiarizado com a aplicação do raciocínio lógico. Dessa forma, deve compreender e aplicar, de maneira precisa, a abstração na sua rotina de trabalho, seja de maneira mais objetiva, utilizando agrupamentos de void e chamadas de função na codificação, ou de maneira mais subjetiva, criando uma IHM (Interface Humano-Máquina) para facilitar a análise de erros em uma célula de manufatura. Porém, esse nível somente pode ser alcançado após se ter dominado o domínio da álgebra; portanto, não cabe ao aluno decorar, mas, sim, dominar o conteúdo de fato.
A técnica de decorar é a que mais se usa no cotidiano escolar em nosso país, os tais “macetes”:
Quando se defronta com um cálculo envolvendo equações do primeiro grau, um(a) jovem que sai do ensino médio pensa:
“Quando um número ou letra muda de lado em relação ao sinal de igual (=), deve-se inverter o sinal”.
Já um(a) engenheiro(a), que conhece a fundo os conceitos de integral e derivada, pensa:
“Executa-se a operação inversa em ambos os lados”
Aquilo que, no colégio, parece ajudar, no âmbito profissional pode atrapalhar, e muito, já que no ambiente escolar exige-se que o aluno “passe de ano”, enquanto que, no campo do trabalho a exigência está voltada para a velocidade de resolução de problemas tendo em vista a produção e o lucro.
Salvando o mercado: a solução para a aprendizagem da Matemática
A crise no ensino da Matemática no Brasil não é apenas um problema estatístico; é um empecilho que limita o potencial produtivo do país. Enquanto o sistema educacional nacional focar somente na memorização de fórmulas para a superação de provas sazonais, continuará formando indivíduos que operam como calculadoras, em vez de profissionais habilitados. Para reverter essa situação, nas escolas, os professores devem passar a ensinar seus alunos a interpretar, os problemas e desafios que lhes são apresentados através, por exemplo, da explicação de como se encontra determinada fórmula e o porquê dessa operação funcionar da maneira que funciona, bem como aplicar esse raciocínio aos exemplos enfrentados na rotina de uma fábrica ou de um escritório. Essas ações fomentarão o interesse dos estudantes por aprender progressivamente, quebrando o paradigma da falta de confiança nas ciências exatas, e, consequentemente, levando mais pessoas a integrar o mercado de trabalho.
• Alunos: Vinicius Campos dos Santos, Eizo Yamashiro Gomes e Luan Simabukuro Amaral
• Curso/Ciclo: Engenharia de Controle e Automação
• Orientador: Fernando Pizzo Ribeiro
