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Centro Educacional da Fundação Salvador Arena

O Círculo Vicioso do Endividamento Familiar Brasileiro e as Novas Armadilhas do Consumo

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em fevereiro de 2026 cerca de 80,2% dos lares brasileiros relataram possuir dívidas. Esse percentual, superior ao de janeiro de 2026, que representava 79,5%, corresponde às dívidas a vencer, como: cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e de casa.

Dos lares entrevistados, cerca de 29,6% declararam possuir dívidas em atraso e 12,6% informaram não ter condições de pagar. Com o aumento da inadimplência e a dificuldade financeira para amortizar as pendências, o tempo de atraso das dívidas cresceu. Atualmente, cerca de 56,1% das famílias afirmam possuir débitos que comprometem entre 11% e 50% da renda mensal.

Esse aumento do endividamento em fevereiro revela um ponto de atenção quanto ao círculo vicioso financeiro, pois a inadimplência é agravada pelas elevadas taxas de juros. Esse cenário gera cautela às famílias em relação ao uso do mercado de crédito.

Círculo vicioso do uso do crédito

A dificuldade em cumprir obrigações financeiras leva muitos consumidores a utilizarem o cartão de crédito como uma “válvula de escape”. O problema surge quando esse recurso é usado sem planejamento ou de modo inconsequente, criando o efeito bola de neve:

Início do círculo:

No primeiro mês, por exemplo, o cartão é usado para compras de itens não essenciais (roupas, calçados ou ferramentas).

Processo:

  1. No mês seguinte, a renda familiar precisa cobrir as contas fixas (luz, água, gás, aluguel) somadas à fatura anterior;
  2. Diante de uma nova oportunidade, como uma viagem, o crédito é utilizado novamente para financiar o lazer;
  3. No mês subsequente, os gastos essenciais competem com uma fatura que já acumula parcelas de diversos meses.

Final do círculo:

Quando a renda se torna insuficiente para cobrir todos os gastos, o consumidor passa a utilizar o próprio cartão para pagar as contas básicas, perpetuando a dependência.

Essas sequências se repetem e se agravam quando as pessoas assumem compromissos movidos pelo impulso, fora do orçamento real. O resultado é o esgotamento financeiro, pois o indivíduo trabalha o mês inteiro apenas para quitar gastos do passado, e o ciclo vicioso parece não ter fim.

A armadilha do consumo

As apostas on-line, popularmente conhecidas como “bets”, têm crescido de forma acelerada entre os brasileiros, impulsionadas, principalmente, pela divulgação em massa realizada nas redes sociais. As propagandas são difundidas com a ideia de diversão e ilusão de ganho rápido (ou até mesmo garantido). Isso leva muitas pessoas, inclusive aquelas endividadas, a acreditarem na possibilidade de multiplicar seu dinheiro de forma fácil. O resultado, porém, costuma ser o oposto: apostas descontroladas que resultam em perdas financeiras ainda maiores.

Esse setor de apostas no Brasil já movimenta bilhões de reais anualmente, drenando os recursos que antes eram destinados ao consumo básico das famílias. Além da perda financeira, a saúde mental também se agrava, pois o vício em jogos (ludopatia) pode desencadear quadros graves de ansiedade, depressão e isolamento social, afetando não apenas o apostador, mas todo o seu núcleo familiar.

A partir de março de 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer um novo serviço de teleatendimento gratuito especializado para pessoas com vício em apostas on-line (“bets”) e seus familiares. O objetivo desse programa é oferecer apoio na saúde mental e suporte psicológico e psiquiátrico remoto. Para solicitar o atendimento, basta requerer pelo aplicativo “Meu SUS Digital”.

• Aluno: Queren Hapuque Marques Alves
• Curso/Ciclo: Administração
• Orientador: Diogo Martins Gonçalves Morais

• Referências:

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO (CNC). Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC): fevereiro de 2026. Brasília: CNC, 2026. Disponível em: https://portal-bucket.azureedge.net/wp-content/2026/03/Pesquisas-CNC-PEIC-fev_26.pdf. Acesso em: 14 mar. 2026, 09:15.

G1. SUS passa a oferecer atendimento virtual gratuito para adultos com vício em jogos e apostas. São Paulo: G1, 3 mar. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/saude-mental/noticia/2026/03/03/sus-passa-a-oferecer-atendimento-virtual-gratuito-para-adultos-com-vicio-em-jogos-e-apostas.ghtml. Acesso em: 14 mar. 2026, 10:30.

G1. Ludopatia: entenda o que é a doença. São Paulo: G1, 16 jul. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/saude/saude-mental/noticia/2024/07/16/ludopatia-entenda-o-que-e-a-doenc.ghtml. Acesso em: 14 mar. 2026, 10h35.

GAZETA DO POVO. Inadimplência recorde e o endividamento das famílias no Brasil. Curitiba: Gazeta do Povo, 2026. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/economia/inadimplencia-recorde-endividamento-familias-brasil/. Acesso em: 14 mar. 2026, 09h37.

UNIMED-BH. Bets e jogos de azar: os impactos na qualidade de vida. Belo Horizonte: Viver Bem, 2026. Disponível em: https://viverbem.unimedbh.com.br/qualidade-de-vida/bets-e-jogos-de-azar/. Acesso em: 14 mar. 2026, 10h21.

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