{"id":1577,"date":"2024-11-29T09:00:00","date_gmt":"2024-11-29T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cefsa.org.br\/crescendojuntos\/?p=1577"},"modified":"2025-07-08T08:30:40","modified_gmt":"2025-07-08T11:30:40","slug":"inteligencia-artificial-o-golem-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cefsa.org.br\/crescendojuntos\/inteligencia-artificial-o-golem-moderno\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia Artificial, o Golem Moderno"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma par\u00e1bola judaica do s\u00e9culo XVI conta que, numa cidade polonesa chamada Chelm, um rabino criou a partir do barro uma criatura, chamada Golem, com a inten\u00e7\u00e3o de ajudar as pessoas da cidade nas tarefas cotidianas. O homem de barro possu\u00eda for\u00e7a sobre-humana e grande energia, por\u00e9m n\u00e3o era senciente, ou seja, n\u00e3o tinha a capacidade de sentir emo\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es. Apesar de humanoide, n\u00e3o tinha fei\u00e7\u00f5es definidas. O povo da cidade pedia regularmente sua ajuda em tarefas simples como carregar objetos pesados e ajudar em constru\u00e7\u00f5es, mas, com o passar do tempo, as instru\u00e7\u00f5es que recebia tornaram-se mais vagas e as interpreta\u00e7\u00f5es que ele atribu\u00eda \u00e0s tarefas eram cada vez mais ins\u00f3litas.<\/p>\n\n\n\n<p>Certo dia, um alde\u00e3o pediu ao Golem que fosse pegar \u00e1gua do rio com um balde. O simpl\u00f3rio ser, em sua grande ingenuidade, pegou toda a \u00e1gua do rio e a usou para inundar a cidade. Em outra ocasi\u00e3o, pediram a ele que cortasse lenha na floresta. Sem encontrar limites na instru\u00e7\u00e3o dada, ele desmatou a floresta completamente. O rabino percebeu que sua cria\u00e7\u00e3o era poderosa demais e adquiria mais for\u00e7a a cada dia; ent\u00e3o relutantemente o destruiu, sentindo enorme tristeza no processo de desmanch\u00e1-lo, transformando-o em p\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria do Golem de Chelm, apesar de ser apenas uma par\u00e1bola infantil, fornece paralelos aleg\u00f3ricos extremamente pertinentes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o das intelig\u00eancias artificiais (IAs) generativas. Ambos foram feitos com a inten\u00e7\u00e3o de facilitar e otimizar processos a fim de tornar a vida humana mais pr\u00e1tica e confort\u00e1vel, mas assim como o Golem, as IAs podem causar caos acidentalmente, uma vez que s\u00e3o de natureza suficientemente disruptiva, tendo condi\u00e7\u00f5es de fazer o mesmo na sociedade atual.<\/p>\n\n\n\n<p>As IAs j\u00e1 podem falsificar \u00e1udios, clonar vozes e gerar v\u00eddeos e imagens de eventos que n\u00e3o aconteceram. Se o ser fict\u00edcio da f\u00e1bula causou caos f\u00edsico em uma pequena cidade, a IA tem potencial para gerar caos pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social em uma escala global. \u00c9 poss\u00edvel perceber tamb\u00e9m que, em uma sociedade que se apoia t\u00e3o rapidamente em novas tecnologias como a nossa, \u00e9 imposs\u00edvel \u201cdestruir o Golem\u201d, pois as tecnologias j\u00e1 fazem parte do nosso cotidiano em um n\u00edvel fundamental. Este \u201cGolem\u201d foi incorporado aos nossos algoritmos, aplicado em solu\u00e7\u00f5es em diversas empresas e \u00e9 considerado o futuro das institui\u00e7\u00f5es comerciais de modo geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Visto que n\u00e3o podemos simplesmente desmantelar as IAs tornando-as em p\u00f3, a responsabilidade que recai sobre os engenheiros e desenvolvedores contempor\u00e2neos \u00e9 maior que a do rabino que criou o Golem. Estes profissionais devem evitar o mau uso dessa tecnologia, que pode extinguir empregos, influenciar elei\u00e7\u00f5es, destruir reputa\u00e7\u00f5es, falsificar provas, entre muitos outros perigos. Essa necessidade surge devido ao fato de que, atualmente, as tecnologias s\u00e3o projetadas tendo em mente apenas a viabiliza\u00e7\u00e3o de projetos e a disponibiliza\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios ao maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas. Raramente tecnocratas analisam os riscos e impactos das suas cria\u00e7\u00f5es e, quando o fazem, pouco se importam.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma nova era de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, surge tamb\u00e9m uma renovada necessidade fundamental de se refor\u00e7ar os princ\u00edpios fundamentais da \u00e9tica entre pessoas que trabalham nas \u00e1reas STEM (Ci\u00eancia, Tecnologia, Engenharias e Matem\u00e1tica), para que todos os desenvolvimentos e avan\u00e7os obtidos sejam decisivamente positivos, e n\u00e3o venham a surtir efeitos negativos inesperados como o Golem polon\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022\u00a0<strong>Autor:<\/strong>\u00a0Marcos Felipe Correa Soares, Guilherme Rodrigues dos Santos e Roger Freitas Pereira, alunos do curso de Engenharia de Computa\u00e7\u00e3o, da Faculdade Engenheiro Salvador Arena.<br><strong>\u2022 Orientador:<\/strong>\u00a0Fernando Felicio Pachi Filho<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Compartilhe!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma par\u00e1bola judaica do s\u00e9culo XVI conta que, numa cidade polonesa chamada Chelm, um rabino criou a partir do barro uma criatura, chamada Golem, com a inten\u00e7\u00e3o de ajudar as pessoas da cidade nas tarefas cotidianas. 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