{"id":1352,"date":"2023-08-28T07:48:44","date_gmt":"2023-08-28T10:48:44","guid":{"rendered":"http:\/\/webapp388536.ip-198-58-123-167.cloudezapp.io\/crescendojuntos\/?p=1352"},"modified":"2023-08-28T07:49:07","modified_gmt":"2023-08-28T10:49:07","slug":"a-mulher-na-sociedade-de-classes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cefsa.org.br\/crescendojuntos\/a-mulher-na-sociedade-de-classes\/","title":{"rendered":"A mulher na sociedade de classes"},"content":{"rendered":"\n<p>Com o passar dos anos, a an\u00e1lise do capitalismo se apresenta cada vez mais relevante para a compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o do povo, dos trabalhadores e trabalhadoras que garantem a manuten\u00e7\u00e3o da economia brasileira. Tal fato pode ser explicado pela teoria marxista, desenvolvida por Karl Marx e Friedrich Engels no s\u00e9culo XIX, que define as duas principais classes sociais presentes no sistema econ\u00f4mico baseado no capital: a burguesia e o proletariado.<\/p>\n\n\n\n<p>A classe burguesa representa os donos dos meios de produ\u00e7\u00e3o, como f\u00e1bricas, empresas e grandes latif\u00fandios. Tamb\u00e9m chamada de classe dominante, ela garante seu enriquecimento atrav\u00e9s da explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, por meio da extra\u00e7\u00e3o da mais-valia: disparidade entre o sal\u00e1rio pago e o valor produzido pelo trabalho. Ademais, segundo Marx e Engels, esta classe controla o Estado e as institui\u00e7\u00f5es sociais, como m\u00eddia, educa\u00e7\u00e3o e cultura, assim propagando seus ideais e interesses &#8211; a ideologia dominante &#8211; para a manuten\u00e7\u00e3o de seu poder sobre a sociedade e normatizando as rela\u00e7\u00f5es sociais capitalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>O proletariado, por outro lado, representa a classe que vende sua for\u00e7a de trabalho em troca de um sal\u00e1rio. Ela est\u00e1 submetida \u00e0 a\u00e7\u00e3o de duas for\u00e7as coercitivas caracter\u00edsticas do capitalismo: aliena\u00e7\u00e3o e ideologia dominante. A primeira define-se pela perda de controle do indiv\u00edduo sobre o pr\u00f3prio trabalho e, como consequ\u00eancia, sobre a pr\u00f3pria vida. A ideologia dominante, em contrapartida, retrata o resultado da rela\u00e7\u00e3o de superioridade das ideias de uma classe sobre a outra, assim como foi explicado acima.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as mulheres da classe trabalhadora, a situa\u00e7\u00e3o se agrava na medida em que elas sofrem, simultaneamente, pelas rela\u00e7\u00f5es sociais de g\u00eanero e classe. O capitalismo influencia profundamente essas rela\u00e7\u00f5es sociais de tal forma que, em seus prim\u00f3rdios, ap\u00f3s a implementa\u00e7\u00e3o da propriedade privada, ele foi um poderoso gerador de fam\u00edlias patriarcais, formadas a partir da domina\u00e7\u00e3o masculina e da opress\u00e3o feminina. A partir dessas forma\u00e7\u00f5es familiares, mantenedoras do casamento monog\u00e2mico, houve tamb\u00e9m a inser\u00e7\u00e3o das prolet\u00e1rias em trabalhos considerados femininos, usualmente considerados de inferior import\u00e2ncia quando comparados a servi\u00e7os masculinos. Deste mesmo modo, estabeleceu-se o trabalho reprodutivo, ou seja, o trabalho dom\u00e9stico, tradicionalmente destinado \u00e0s mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreendida a rela\u00e7\u00e3o entre propriedade privada e opress\u00e3o da mulher, devemos entender o g\u00eanero feminino como constructo social. \u00c9 por essa raz\u00e3o que Simone de Beauvoir afirmava que \u201c<em>n\u00e3o se nasce mulher, torna-se mulher<\/em>\u201d. Assim, sem rela\u00e7\u00e3o com a diferen\u00e7a biol\u00f3gica de sexos, esta forma de desigualdade se apresenta como produto das rela\u00e7\u00f5es capitalistas patriarcais de g\u00eanero. A manuten\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o masculina \u00e9 sustentada pela base material e ideol\u00f3gica que classifica o sexo feminino como submisso, definindo dessa forma a \u201cess\u00eancia feminina\u201d. Este alicerce ideol\u00f3gico garante a educa\u00e7\u00e3o das meninas direcionada \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o da desigualdade. Consequentemente, at\u00e9 os dias atuais, a sociedade percebe como \u201cnatural\u201d a designa\u00e7\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas para as mulheres. Dessa maneira, em detrimento das rela\u00e7\u00f5es sociais de sexo &#8211; o patriarcado em quest\u00e3o &#8211; que levam a mulher a uma posi\u00e7\u00e3o de inferioridade, e de classe, que s\u00e3o marcadas pela explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho prolet\u00e1ria, h\u00e1 uma concretiza\u00e7\u00e3o cada vez maior da opress\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o que o sexo feminino oper\u00e1rio sofre, j\u00e1 que as circunst\u00e2ncias de ambos os sistemas est\u00e3o articuladas, representando a l\u00f3gica de vasos comunicantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2022\u00a0Autores:<\/strong>\u00a0Giovana Silva dos Santos e Caroline Martins de Jesus, alunas do Ensino M\u00e9dio, do Col\u00e9gio Engenheiro Salvador Arena.<br><strong>\u2022 Orientador:<\/strong>\u00a0professor Denis Oliveira da Silva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o passar dos anos, a an\u00e1lise do capitalismo se apresenta cada vez mais relevante para a compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o do povo, dos trabalhadores e trabalhadoras que garantem a manuten\u00e7\u00e3o da economia brasileira. 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