{"id":1139,"date":"2021-02-26T08:54:14","date_gmt":"2021-02-26T11:54:14","guid":{"rendered":"http:\/\/webapp388536.ip-198-58-123-167.cloudezapp.io\/crescendojuntos\/?p=1139"},"modified":"2021-02-26T08:54:14","modified_gmt":"2021-02-26T11:54:14","slug":"historia-da-lingua-portuguesa-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cefsa.org.br\/crescendojuntos\/historia-da-lingua-portuguesa-i\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da L\u00edngua Portuguesa &#8211; I"},"content":{"rendered":"<p>Todos n\u00f3s fazemos uso di\u00e1rio de uma determinada \u201cferramenta\u201d, um fant\u00e1stico e indispens\u00e1vel instrumento, atrav\u00e9s do qual se torna poss\u00edvel nossa comunica\u00e7\u00e3o com as pessoas e com o mundo que nos cerca. Sim, voc\u00ea j\u00e1 deve saber que estamos nos referindo \u00e0 l\u00edngua, no nosso caso, \u00e0 l\u00edngua portuguesa. No entanto, rar\u00edssimas pessoas demonstram interesse em conhecer como nasceu o extraordin\u00e1rio idioma que nos serve de meio de comunica\u00e7\u00e3o, oral e escrita, dia e noite, noite e dia, ao longo de toda nossa vida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, vamos em busca de sua hist\u00f3ria. Para isso, precisamos nos valer de um campo de conhecimento espec\u00edfico, uma ci\u00eancia que estuda os fatos de uma l\u00edngua no seu desenvolvimento sucessivo, desde a origem at\u00e9 a \u00e9poca atual: a Gram\u00e1tica Hist\u00f3rica. Diferentemente das outras vertentes da Gram\u00e1tica, a Hist\u00f3rica tem por objeto o estudo das origens da l\u00edngua desde o per\u00edodo de sua forma\u00e7\u00e3o; al\u00e9m disso, procura explicar as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas no idioma em sua evolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do espa\u00e7o e do tempo.<\/p>\n<p>Essas transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o se deram por acaso, n\u00e3o foram produzidas por modismos ou pelo capricho de homens poderosos, mas obedeceram a tend\u00eancias naturais, a h\u00e1bitos fon\u00e9ticos espont\u00e2neos. A const\u00e2ncia e a regularidade que foram observadas em tais transforma\u00e7\u00f5es permitiram aos estudiosos formular os princ\u00edpios e leis que regem essa ci\u00eancia. E o mais importante material de estudo foram os textos escritos.<\/p>\n<p>Mas antes de entrarmos propriamente no campo da evolu\u00e7\u00e3o da l\u00edngua, \u00e9 preciso que fa\u00e7amos um breve retrospecto sobre uma na\u00e7\u00e3o que representou o ber\u00e7o de nosso idioma: o Imp\u00e9rio Romano. Antes mesmo do in\u00edcio da Era Crist\u00e3, Roma j\u00e1 havia se consolidado como um poderoso Estado e, ao longo do tempo, transformou-se num dos maiores imp\u00e9rios de todos os tempos, especialmente no campo militar. No auge de seu dom\u00ednio, no s\u00e9culo II d.C., o territ\u00f3rio conquistado pelos romanos abrangia por volta de 7 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, englobando povos da Europa, do Oriente M\u00e9dio, do Norte da \u00c1frica e at\u00e9 de pequena parte da \u00c1sia.<\/p>\n<p>Apesar de seu poderio militar e da viol\u00eancia de suas a\u00e7\u00f5es de conquista, Roma era razoavelmente condescendente com os povos por ela dominados. Suas exig\u00eancias n\u00e3o eram muitas: uma delas, era a obrigatoriedade do pagamento de impostos; outra: os rapazes jovens deveriam participar do servi\u00e7o militar; e uma que se reveste de particular interesse para n\u00f3s: a obrigatoriedade do uso do idioma falado em Roma, no ex\u00e9rcito, no com\u00e9rcio, nos tribunais, nas inscri\u00e7\u00f5es (por exemplo, nos edif\u00edcios e nas l\u00e1pides dos jazigos) e nos documentos em geral (testamentos, escrituras de bens im\u00f3veis, registros de todos os tipos etc.).<\/p>\n<p>Vale aqui destacar que a l\u00edngua falada em Roma era o <strong>latim<\/strong>, palavra que adv\u00e9m do nome de uma regi\u00e3o da Pen\u00ednsula It\u00e1lica, o L\u00e1cio. Durante o desenvolvimento do Imp\u00e9rio Romano, a l\u00edngua oficial dos romanos dividiu-se em duas modalidades: o <strong>latim cl\u00e1ssico<\/strong>, basicamente destinado \u00e0 escrita, caracterizado pela riqueza do vocabul\u00e1rio, pela corre\u00e7\u00e3o gramatical e pela eleg\u00e2ncia do estilo, e o <strong>latim vulgar<\/strong>, linguagem exclusivamente falada, usada pelas classes inferiores da sociedade romana, ou seja, os soldados, os marinheiros, os camponeses, os homens livres e os escravos, enfim, o povo de modo geral.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente esta variedade do idioma falado em Roma que ir\u00e1 predominar na comunica\u00e7\u00e3o oral entre os povos subjugados; \u00e9 esse linguajar que ir\u00e1 se aglutinar com o falar das pessoas das mais diversas etnias em todos os quadrantes do Imp\u00e9rio, dando origem ao que nos dias de hoje denominamos l\u00ednguas rom\u00e2nicas ou neolatinas: espanhol, italiano, franc\u00eas, romeno, catal\u00e3o, galego, proven\u00e7al e, como n\u00e3o poderia deixar de ser, o Portugu\u00eas.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo artigo, veremos como surgiu efetivamente a l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Colabora\u00e7\u00e3o: S\u00e9rgio Martins (ex-professor do CEFSA e atual colaborador do Setor de Comunica\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os de revis\u00e3o de textos)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos n\u00f3s fazemos uso di\u00e1rio de uma determinada \u201cferramenta\u201d, um fant\u00e1stico e indispens\u00e1vel instrumento, atrav\u00e9s do qual se torna poss\u00edvel nossa comunica\u00e7\u00e3o com as pessoas e com o mundo que nos cerca. 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